Às vezes leio aquilo que escrevi e não acredito que consegui escrever aquelas palavras.
Algumas mostram tanto...
É como se me despisse para o mundo.
Aqui vai um poema da minha autoria...
"Ondas
Sabes o que sinto...
Um aperto por sentir
Que estás zangado.
Mas eu também tenho sentimentos,
Também me custa ouvir
aquilo que não quero ouvir.
Estou a ouvir música... imagino-me
numa praia deserta ao cair da tarde.
Estou sozinha a passear a olhar as ondas.
Estou descalça e sinto um formigueiro nos pés
sempre que toco com eles na água.
A minha roupa é branca cheia de véus compridos
que me tapam grande parte do meu corpo.
Mas de repente sinto uma presença magnífica.
É como se ela me tocasse e me fizesse voar mais alto.
Olho para trás
e um vulto aparecesse em frente à minha imagem.
Mas...conheço-o...é ele...
Es tu...
Sabes o que fizemos depois?
Tu foste embora
pois tinhas compreendido mal o meu silêncio.
Foste embora sem me compreenderes,
sem acreditares no meu amor...
E eu fiquei sozinha...
Olhei de novo as ondas
e estas pareceram gigantescas.
Recuei, e fugi da praia.
Na cabana encontrei uma carta tua.
Estavas a despedir-te de mim,
pois dizias ter cometido um erro... não li o resto
rasguei-a. Olhei a rua e tudo me pareceu feio.
Tinha anoitecido e estava sozinha...
Encontrei uma camisa tua e vi... o teu rosto desfigurado nela.
A tua imagem a desvanecer-se na minha mente.
Era como se um fogo consumisse a minha memória.
Encontrei-me na cabana de novo e vi-me sozinha...
Sai de casa e corri de encontro ao nada.
Vaguei pelas ruas e bati na tua porta.
Não estavas lá.
Fui aos sítios onde nos encontrávamos
e não te encontrei.
Encontrei pessoas de todas as cores,
mas quem eu queria eras tu.
Chorava e desistia de procurar.
De repente olhei em volta e estava numa rua escura.
Ao fundo havia um café.
Cansada como estava decidi entrar.
Pé ante pé, pedi um café e sentei-me numa mesa escondida.
Chorei aquilo que tinha para chorar.
E vi-me de novo sozinha...
Não tinha notado numa presença no café....
Olhei para trás e estavas lá.
Olhavas para mim com fúria.
Sai à pressa do café e corri pelas ruas.
Encontrei a praia e deitei-me na areia fria.
Adormeci.
Não dei conta onde estava,
até sentir na testa um leve toque.
Assustei-me e gritei.
Estava na praia.
Mas mais alguém estava comigo.
Eras tu.
Decidiste ficar comigo pois viste que estava sozinha e
compreendeste o meu olhar desesperado no café.
Olhei para ti e chorei.
Abraçaste-me, beijei-te e perdi-me nos teus lábios.
Olhei em volta e senti que era eu de novo.
Não estava sozinha.."